Venezuela aumenta renda mínima integral para US$ 240, mas salário base permanece em US$ 0,30
O governo interino da Venezuela anunciou um aumento de 26% na renda mínima integral, elevando o valor para US$ 240 (cerca de R$ 1.200) mensais. No entanto, o salário mínimo oficial continua em apenas US$ 0,30 (R$ 1,50), com o restante composto por bônus governamentais que não contam para direitos trabalhistas como férias ou aposentadoria. A medida, a primeira desde a queda de Nicolás Maduro, foi recebida com críticas e comemorações pela população.
Contexto do aumento
A presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, anunciou na quinta-feira (30) um reajuste na renda mínima integral, que passou de US$ 190 (R$ 950) para US$ 240 (R$ 1.200) mensais. O aumento, o primeiro desde a saída de Nicolás Maduro, foi justificado como uma resposta às manifestações de trabalhadores que exigiam melhorias salariais. Rodríguez destacou que este é o 'aumento mais significativo dos últimos anos', mas não detalhou como os valores seriam distribuídos entre salário base e bônus.
Composição da renda mínima
Apesar do anúncio, o salário mínimo oficial na Venezuela permanece em apenas US$ 0,30 (R$ 1,50). A renda mínima integral é composta por esse valor simbólico acrescido de bônus pagos pelo governo, que não são considerados para cálculos de direitos trabalhistas, como férias, décimo terceiro ou aposentadoria. Esses bônus são uma tentativa de compensar a inflação elevada e a desvalorização do salário mínimo, que está congelado há quatro anos.
Reações e críticas
O anúncio foi recebido com aplausos por apoiadores do chavismo durante uma marcha em Caracas, que exigia o fim das sanções contra o país. No entanto, especialistas e trabalhadores criticaram a medida, destacando que o novo valor ainda está muito abaixo dos US$ 677 (R$ 3.385) necessários para cobrir a cesta básica de uma família de cinco pessoas. A falta de clareza sobre a composição da renda e a exclusão dos bônus dos cálculos trabalhistas também geraram descontentamento.