Guerra no Oriente Médio Impacta Preços de Fertilizantes; Consumidor Brasileiro Deve Sentir Efeito Posteriormente
A escalada de tensões entre Estados Unidos, Israel e Irã está provocando uma disparada nos preços dos fertilizantes. Contudo, o impacto sobre os preços dos alimentos no Brasil é previsto para ocorrer apenas em um segundo momento, com a maior pressão de curto prazo vindo do aumento nos combustíveis. Produtores agrícolas expressam preocupação com as futuras importações de adubo devido à dependência do insumo e à incerteza sobre a duração do conflito.
Impacto da Guerra nos Fertilizantes e na Colheita
A guerra no Oriente Médio está gerando um aumento significativo nos preços dos fertilizantes, um insumo essencial para a produção agrícola brasileira. Felippe Serigati, pesquisador da FGV Agro, explica que o consumidor não deve sentir os efeitos imediatos nos preços dos alimentos, pois grande parte da colheita de grãos como arroz, soja, feijão e milho já foi finalizada ou está em processo de conclusão, com o fertilizante já tendo sido aplicado ao solo. O café, com colheita a iniciar, foi plantado no ano anterior, e as segundas safras de milho e feijão já foram semeadas. André Braz, economista do FGV Ibre, destaca a alta dependência do Brasil por fertilizantes, com importações cobrindo cerca de 85% do consumo. Especificamente, o país importa 90% do nitrogênio, 96% do potássio e aproximadamente 80% do fosfatado. O Oriente Médio representa o quarto maior fornecedor de fertilizantes para o Brasil, sendo um player crucial no mercado global, respondendo por 40% das exportações mundiais de ureia e 28% das vendas externas de amônia. Consequentemente, eventos na região impactam diretamente os preços internacionais. A incerteza sobre a duração do conflito e as próximas grandes importações de adubo, previstas para a virada do semestre, aumentam a preocupação dos produtores.