Soldados na Ucrânia recorrem a drogas para suportar guerra prolongada; vício e automedicação crescem no front
Guerra na Ucrânia entra no quinto ano com relatos de soldados de ambos os lados usando drogas para lidar com dores físicas, medo e exaustão. Estimulantes e opioides são consumidos para manter o desempenho, mas vício e automedicação se tornam problemas crescentes. Relatos de desertores e oficiais destacam a dependência como consequência do conflito prolongado.
Drogas como escape para os horrores da guerra
Soldados ucranianos e russos recorrem a substâncias químicas para enfrentar os desafios físicos e psicológicos do conflito, que já dura mais de quatro anos. Segundo relatos, as drogas são usadas para tratar dores de ferimentos, evitar o sono, suprimir o medo ou simplesmente continuar funcionando em condições extremas. "Guerra significa braços e pernas arrancados. São intestinos, mau cheiro e sujeira no corpo. Você se urina, você se suja. É um estado emocional extremamente difícil", descreve Dmytro, oficial ucraniano em recuperação de dependência.
Uso histórico de drogas em conflitos
O uso de substâncias em guerras não é novidade. Durante a Segunda Guerra Mundial, a Alemanha nazista distribuiu milhões de comprimidos de metanfetamina às tropas. Nos EUA, estimulantes foram fornecidos a soldados no Vietnã, Afeganistão e Iraque. No Vietnã, até 15% dos militares americanos usaram heroína para lidar com os efeitos do conflito. Na Ucrânia, a situação se repete: soldados consomem metadona e outros opioides para "esquecer os horrores" e "se distanciar da ansiedade constante", segundo Stanislav, desertor ucraniano.
Consequências do conflito prolongado
A falta de recrutamento suficiente e a ausência de um plano de desmobilização mantêm soldados ucranianos na linha de frente por longos períodos, sem descanso. Isso agrava o uso de drogas como forma de automedicação. "Quando você está sob efeito da metadona, consegue esquecer um pouco. Não é que você ganhe 'força'. É mais que você consegue se distanciar daqueles horrores", relata Stanislav, que atuou na contraofensiva de Zaporíjia entre 2023 e 2024 e desertou há dois anos.