Pesquisa revela clima do norte de Minas Gerais há 150 anos através de anéis de árvores
Estudo conduzido por pesquisadores da USP, Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA) e Instituto Weizmann analisou anéis de crescimento de imburanas para reconstruir o clima da região norte de Minas Gerais desde 1870. Os resultados indicam que o ambiente era ainda mais seco no passado, com árvores de menor porte e florestas mais baixas e abertas.
Metodologia e descobertas
Os pesquisadores coletaram amostras de 28 imburanas (Commiphora leptophloeos), árvores típicas de ambientes secos, no Parque Nacional Cavernas do Peruaçu, em Januária (MG). As análises dos anéis de crescimento dos troncos, que datam de 1870 a 2017, revelaram como as plantas respondiam às variações climáticas ao longo dos anos. Além disso, troncos fósseis apresentaram vasos condutores de água mais estreitos, sugerindo um clima ainda mais árido no passado, com árvores de menor porte e uma vegetação mais esparsa e baixa.
Espécies estudadas e contexto regional
Até então, as pesquisas sobre clima na região utilizando anéis de árvores focavam em espécies como o cedro-rosa (Cedrela fissilis) e a amburana (Amburana cearensis). Este estudo é pioneiro ao analisar fósseis de imburana, fornecendo novas perspectivas sobre as condições climáticas históricas do norte de Minas Gerais. Os resultados foram publicados na revista Dendrochronologia em maio de 2026.