Startup brasileira revoluciona produção de proteínas sintéticas com inteligência artificial e reduz custos em até 90%
A Biolinker, startup de biotecnologia sediada em Cotia (SP), desenvolveu um sistema de inteligência artificial que acelera e barateia a produção de proteínas sintéticas, como enzimas, anticorpos e fatores de crescimento. A tecnologia reduz custos em até 90% em comparação com produtos importados e já atende demandas de pesquisadores e indústrias nacionais, incluindo produtores de carne de laboratório.
Tecnologia e inovação na produção de proteínas
A Biolinker, fundada pela bioquímica e médica-veterinária Mona Oliveira, utiliza um sistema de inteligência artificial para otimizar o planejamento e a produção de proteínas sintéticas. O processo é materializado em um kit composto por quatro tubos de 3 centímetros, que facilita a purificação e obtenção de proteínas complexas, como fatores de crescimento, essenciais para o desenvolvimento celular. A startup já produziu cerca de 250 tipos de proteínas para grupos de pesquisa e empresas em diversos estados brasileiros. Entre os produtos mais destacados estão os fatores de crescimento, que substituem o soro fetal bovino na produção de carne de laboratório. A tecnologia desenvolvida pela Biolinker permite uma redução significativa nos custos: enquanto a versão importada do fator de crescimento epitelial (EGF) custa entre R$ 3 mil e R$ 30 mil por micrograma, a produção nacional promete valores até 90% menores.
Impacto econômico e científico
A biomédica Thainá Rodrigues de Almeida e a médica-veterinária Iris Todeschini, integrantes da equipe da Biolinker, destacam a importância da oligomerização no processo de produção. Esse fenômeno, no qual estruturas menores se unem para formar uma maior, pode resultar em variações no tamanho das proteínas purificadas, algo que inicialmente gerou dúvidas sobre a eficácia do método. No entanto, a equipe confirmou que essas variações são normais e não comprometem a qualidade do produto final. A capacidade de produzir proteínas complexas localmente representa um avanço significativo para a ciência e a indústria brasileiras, reduzindo a dependência de importações e barateando custos para pesquisadores e empresas.