FCC propõe rótulos para conteúdo LGBTQ+ em TV e reacende debate sobre censura histórica em Hollywood
A Federal Communications Commission (FCC) dos EUA abriu consulta pública para avaliar a inclusão de rótulos específicos em programas de TV com conteúdo LGBTQ+, alegando 'empoderar pais'. A proposta é criticada por organizações como a GLAAD, que a compara ao Código Hays (1934-1968), que proibia representações de 'perversão sexual' e marginalizava personagens LGBTQ+.
Contexto histórico e paralelos com o Código Hays
A FCC sugeriu a modificação das classificações televisivas para alertar sobre a presença de histórias LGBTQ+, uma medida que a GLAAD, organização de defesa dos direitos LGBTQ+, classificou como um retrocesso ao Código Hays. Em vigor entre 1934 e 1968, o Código proibia explicitamente representações de relacionamentos inter-raciais, ridicularização de figuras religiosas e qualquer forma de 'perversão sexual', termo que incluía personagens LGBTQ+. Durante esse período, personagens queer eram invisibilizados, codificados ou punidos narrativamente, como documentado no livro 'The Celluloid Closet' (1981), de Vito Russo.
Críticas e riscos da proposta
A consulta pública da FCC, com prazo para comentários até 22 de junho, é vista como uma tentativa de estigmatizar narrativas LGBTQ+ sob o pretexto de 'proteger crianças'. A GLAAD argumenta que rótulos específicos para conteúdo queer reforçam a ideia de que essas histórias são inerentemente inapropriadas, ecoando estratégias usadas em leis como a 'Don’t Say Gay' da Flórida (2022) e em proibições de livros com temáticas LGBTQ+. A proposta também ignora o impacto negativo na produção de conteúdo diverso, reduzindo oportunidades para criadores e atores queer.