Filha única de Lampião e Maria Bonita revela medo e distanciamento dos pais cangaceiros
Expedita Ferreira, filha única de Lampião e Maria Bonita, concedeu depoimento inédito sobre a relação conturbada com os pais, marcada pelo medo das armas e pela vida no cangaço. Separada dos pais aos 21 dias de vida, ela relembra encontros esporádicos e a desconfiança herdada de Lampião.
Vida no cangaço e separação precoce
Expedita Ferreira nasceu em 1932, durante a fuga constante do bando de Lampião. Com apenas 21 dias de vida, foi entregue a uma família amiga dos cangaceiros, pois o grupo não permitia a presença de crianças. A decisão reflete a brutalidade da vida no cangaço, onde a sobrevivência era prioridade. Expedita cresceu longe dos pais, mas ocasionalmente recebia visitas deles, embora esses encontros fossem marcados pelo medo e pela tensão.
Medo das armas e distanciamento emocional
Em depoimento ao Globo Repórter, Expedita revelou que sentia medo das armas e da 'arrumação' dos cangaceiros. Durante um dos reencontros, ela se escondeu debaixo da cama ao ver Lampião, sendo retirada à força pelo pai. 'Eu me escondi debaixo da cama... ele me tirou e me botou no colo. E ela [Maria Bonita] ficou atrás. Aí eu fiquei só olhando para baixo', relatou. O distanciamento emocional era evidente: Lampião era descrito como desconfiado, enquanto Maria Bonita era reservada e pouco expressiva.
Herança e legado do cangaço
Expedita acredita ter herdado a desconfiança do pai, um traço que considera marcante em sua personalidade. Sobre Maria Bonita, as lembranças são ainda mais escassas, reforçando a ausência de uma relação afetiva. A reportagem do Globo Repórter destacou como o cangaço, apesar de ser um movimento de resistência e violência, também deixou marcas profundas nas famílias envolvidas, especialmente nas crianças que cresceram à margem dessa realidade.