Cuba enfrenta crise energética com apagões frequentes e colapso do sistema elétrico
Cuba registrou dois apagões totais em menos de 24 horas, agravando a crise energética que já soma 11 blecautes nacionais desde o final de 2024. Moradores enfrentam rotina de escuridão, com energia disponível por apenas duas horas diárias em muitos casos. O embargo energético dos EUA e a deterioração da infraestrutura local são apontados como causas principais.
Apagões recorrentes e impacto no cotidiano
Desde o final de 2024, Cuba sofreu 11 apagões em todo o país, sendo cinco apenas em 2026, incluindo três em julho. No último episódio, ocorrido em 2 de agosto, a ilha ficou quase 48 horas sem energia, afetando 9,6 milhões de habitantes. Além dos blecautes totais, apagões parciais são frequentes, com relatos de energia disponível por apenas duas horas diárias. Tarefas básicas, como cozinhar, conservar alimentos e carregar celulares, tornaram-se desafios diários, levando os cubanos a improvisar soluções para sobreviver à escuridão prolongada.
Causas da crise: embargo e infraestrutura deteriorada
A crise energética em Cuba é atribuída a uma combinação de fatores, incluindo o embargo energético imposto pelos Estados Unidos durante o governo de Donald Trump. O bloqueio marítimo interrompeu as entregas regulares de combustível, essencial para o funcionamento das centrais elétricas e usinas termelétricas. A infraestrutura já deteriorada do sistema elétrico cubano entrou em colapso sem o suprimento adequado de combustível, agravando a situação. Além disso, a dependência de uma rede elétrica obsoleta contribui para a instabilidade no fornecimento de energia.
Comunicação e adaptação em meio à escuridão
A falta de energia impacta diretamente a comunicação na ilha, com a infraestrutura de internet dependente da eletricidade. Moradores recorrem a alternativas como alto-falantes e megafones para driblar a ausência de conectividade. O jornalista cubano Istaván Ojeda destacou que a comunicação é uma das maiores preocupações dos habitantes, que buscam se adaptar a um cenário de incerteza e escassez. A rotina dos cubanos agora inclui estratégias para lidar com a escuridão, como dormir perto de varandas para aproveitar a luz natural e improvisar soluções para tarefas cotidianas.