Guerra eletrônica confunde sinais de GPS e coloca voos comerciais em risco na Europa
Ataques cibernéticos conhecidos como 'spoofing' têm falsificado sinais de GPS de aeronaves na Europa, incluindo voos comerciais e militares. Pilotos relatam ocorrências frequentes perto de fronteiras com a Rússia, forçando o uso de sistemas de navegação alternativos. Especialistas alertam para os riscos crescentes dessa prática em zonas de conflito.
Spoofing de GPS: uma ameaça crescente
O piloto Artur Rodionov, da Força Aérea Real Britânica (RAF), relatou que a falsificação de sinais de GPS se tornou uma ocorrência comum em voos próximos à fronteira da Rússia com países bálticos, como a Estônia. Em um incidente recente, um avião da RAF que transportava o Secretário de Defesa do Reino Unido, John Healey, teve seu transponder indicando uma localização falsa: a 300 quilômetros de sua posição real, sobrevoando um lago perto de São Petersburgo, na Rússia, a uma velocidade irreal de 11 km/h. Dados analisados pelo Serviço Mundial da BBC confirmaram que o sistema de navegação da aeronave foi afetado por um ataque cibernético, conhecido como *spoofing*.
Impacto em voos comerciais e militares
O *spoofing* ocorre quando transmissores terrestres emitem sinais de rádio mais fortes que os sinais legítimos de GPS, enganando sistemas de navegação. Essa prática é comumente utilizada por forças militares para reduzir a precisão de armas inimigas, como mísseis e drones. No entanto, voos comerciais também têm sido afetados. Dados da consultoria SkAI Data Services revelaram que mais de 100 aeronaves com passageiros a bordo transmitiram localizações falsas no mesmo dia do incidente com a RAF. Pilotos foram forçados a utilizar sistemas de navegação mais antigos e menos precisos para garantir a segurança dos voos.
Riscos e respostas das autoridades
O Ministério da Defesa britânico afirmou que a segurança da aeronave não foi comprometida durante o incidente. No entanto, especialistas alertam que a prática de *spoofing* representa um risco crescente para a aviação civil e militar, especialmente em regiões próximas a zonas de conflito. A guerra eletrônica, que inclui não apenas o *spoofing* mas também o *jamming* (interferência nos sinais de GPS), tem se intensificado com o avanço das tecnologias de transmissão e a proliferação de equipamentos acessíveis para realizar esses ataques.