Psicóloga alerta que proibição de redes sociais não é solução para crise de saúde mental de jovens
Especialista da Universidade da Califórnia afirma que a correlação entre redes sociais e problemas de saúde mental é mínima e frequentemente desaparece ao considerar outros fatores. A pesquisadora defende que a narrativa de que as plataformas são a causa principal da crise ignora complexidades como instabilidade econômica e violência escolar.
Evidências científicas e correlações
A psicóloga Candice Odgers, especialista em psicologia do desenvolvimento, afirma que a distância entre a narrativa dominante e os dados científicos é enorme. Estudos indicam que o tempo de uso de telas explica menos de 1% da variação nos problemas de saúde mental de adolescentes. Quando outros fatores, como traumas precoces, histórico familiar e saúde mental dos pais, são controlados, as associações com as redes sociais frequentemente caem para zero ou valores muito próximos a zero.
Contexto global e regulamentação
Embora países como Austrália, França, Reino Unido e Canadá estejam adotando ou estudando restrições ao uso de redes sociais por menores, Odgers alerta que proibições podem não resolver o problema e podem empurrar jovens para espaços menos regulados. No Brasil, a ANPD determinou a suspensão de transmissões ao vivo no Discord após um caso de indução à automutilação, enquanto o país já conta com o ECA Digital para estabelecer restrições de conteúdo e controles.
Fatores complexos e causas reais
A pesquisadora destaca que a crise de saúde mental é um fenômeno complexo influenciado por múltiplos fatores, incluindo instabilidade econômica, violência em escolas, conflitos e incerteza financeira. Ela ressalta que a taxa de suicídios entre jovens não apresenta um aumento universal e que a busca por uma única explicação — como o tempo gasto em plataformas como o TikTok — simplifica excessivamente a realidade dos jovens.