EUA registram recorde de censura a livros em escolas e bibliotecas públicas em 2026
Mais de 12 mil livros foram proibidos ou retirados de bibliotecas e escolas públicas nos Estados Unidos no último ano letivo, segundo levantamentos de organizações de direitos autorais. Obras clássicas, best-sellers e até a Bíblia estão entre os títulos censurados, com foco em temas como LGBTQ+ e diversidade racial. A Flórida lidera o movimento, impulsionada por legislações locais e pressão de grupos ultraconservadores.
Recorde histórico de proibições
Os Estados Unidos registraram um recorde de censura a livros em bibliotecas e escolas públicas durante o ano letivo de 2025-2026. Segundo dados compilados por organizações como o PEN Internacional, mais de 5 mil livros foram retirados de bibliotecas e quase 7 mil obras foram proibidas em escolas públicas. Entre os títulos censurados estão desde clássicos da literatura, como adaptações de obras shakespearianas, até best-sellers contemporâneos, incluindo 'Me Chame Pelo Seu Nome' e 'O Conto da Aia'. Até mesmo a Bíblia foi alvo de restrições em algumas localidades.
Temas e motivações por trás das proibições
Cerca de 40% dos livros censurados abordam experiências da comunidade LGBTQ+ ou de pessoas não brancas, segundo livreiros e especialistas. Além de obras de ficção, livros didáticos e materiais educativos também foram alvo de restrições. Alicia Quiñones, diretora do PEN Internacional para a América, alerta que a censura está sendo usada como ferramenta para controlar narrativas sobre raça, gênero, identidade e memória histórica. "A censura de livros está sendo usada para limitar quais histórias podem ser contadas e quais perspectivas podem fazer parte do debate público", afirmou Quiñones.
Flórida como epicentro do movimento
O estado da Flórida é apontado como o principal epicentro do movimento de censura nos EUA. Segundo especialistas, o cenário é favorecido por legislações locais que ampliam os chamados 'direitos parentais', além da pressão política e do crescimento de grupos ultraconservadores. Em nível federal, o presidente Donald Trump tem promovido políticas semelhantes por meio de ordens executivas. No Congresso, uma proposta de lei prevê a retirada de financiamento de escolas que utilizem livros com temática sexual.