Arqueólogos descobrem cerâmica dauniana de 2,7 mil anos com possível uso ritualístico
Pesquisadores identificaram resíduos de alcaloides do ópio em recipientes cerâmicos produzidos pelo povo dauniano, que habitou o sul da Itália antes da expansão romana. O artefato conhecido como kyathos dauniano, com alça em formato de figura humana, pode ter sido utilizado em rituais religiosos ou práticas medicinais envolvendo substâncias psicoativas.
Descoberta e características do artefato
Um recipiente cerâmico datado do século VI a.C., conhecido como kyathos dauniano, foi descoberto na região de Foggia, sul da Itália. O objeto possui um formato peculiar: uma tigela rasa com uma alça moldada na forma de uma figura humana de olhos arregalados e braços erguidos. Segundo o Live Science, esse artefato foi produzido pelo povo dauniano, uma sociedade pré-romana que ocupou a região antes da expansão do Império Romano. A peça chama a atenção não apenas por seu design incomum, mas também por seu possível uso em contextos sociais e religiosos.
Resíduos de ópio e hipóteses sobre o uso
Estudos recentes identificaram resíduos de alcaloides do ópio em cerâmicas daunianas, o que levou os pesquisadores a levantarem a hipótese de que esses recipientes eram utilizados na preparação de substâncias para rituais ou fins medicinais. A presença de ópio sugere que os artefatos poderiam induzir estados de transe, comuns em cerimônias religiosas, ou serem empregados para aliviar dores. A ausência de registros escritos deixados pelos daunianos torna os objetos arqueológicos essenciais para reconstruir aspectos de sua cultura e práticas sociais.
Importância arqueológica dos daunianos
Os daunianos habitaram o sul da Itália séculos antes da dominação romana, mas pouco se sabe sobre eles devido à falta de documentos escritos. Por isso, escavações e análises de artefatos, como o kyathos, são fundamentais para entender a história desse povo. A descoberta de resíduos de ópio em cerâmicas reforça a teoria de que esses objetos tinham funções além das utilitárias, possivelmente ligadas a rituais ou práticas medicinais que envolviam substâncias psicoativas.