Rato-do-arroz é principal transmissor do hantavírus no Brasil; OMS confirma surto em navio na Europa
O *Oligoryzomys nigripes*, conhecido como ratinho-do-arroz, é identificado como o principal hospedeiro do hantavírus no Brasil, especialmente na Mata Atlântica. A Organização Mundial da Saúde (OMS) confirmou um surto da variante Andes, capaz de transmissão entre humanos, em um navio de cruzeiro na costa europeia com passageiros que estiveram na Argentina. Especialistas alertam para os riscos da doença e reforçam a importância de medidas preventivas em áreas rurais e de armazenamento de grãos.
Características e habitat do roedor
O *Oligoryzomys nigripes*, popularmente chamado de ratinho-do-arroz, é um roedor silvestre de pequeno porte com ampla distribuição no Brasil, especialmente em áreas de Mata Atlântica e suas zonas de transição com outros biomas. O animal possui características marcantes, como uma cauda mais longa que o corpo, patas traseiras finas e cobertas por pelos claros, além de uma divisão visual nítida entre o dorso e o ventre. Segundo Bernardo Teixeira, pesquisador do Laboratório de Biologia e Parasitologia de Mamíferos Silvestres Reservatórios do Instituto Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz), o roedor desempenha um papel ecológico importante, mas também representa um risco à saúde pública por ser o principal transmissor do hantavírus no país.
Surto internacional e riscos à saúde
A OMS confirmou recentemente um surto da variante Andes do hantavírus em um navio de cruzeiro na costa europeia. Essa cepa é a única com comprovada capacidade de transmissão entre humanos, o que elevou o alerta global. No Brasil, a doença está associada principalmente ao contato com fezes, urina ou saliva de roedores infectados, especialmente em ambientes rurais e locais de armazenamento de grãos, onde o ratinho-do-arroz costuma buscar alimento. Os sintomas iniciais incluem febre, dores musculares e dificuldade respiratória, podendo evoluir para quadros graves de síndrome pulmonar ou cardiovascular.