Mudanças climáticas e poluição reduzem tamanho de mariscos no litoral de Pernambuco
Pesquisas e relatos de comunidades pesqueiras no litoral de Pernambuco indicam que mariscos estão diminuindo de tamanho devido às mudanças climáticas e à poluição. Especialistas apontam que o aumento da temperatura e a acidificação dos ambientes aquáticos fragilizam as conchas dos moluscos, tornando-os menos resistentes e menores.
Impacto das mudanças climáticas e poluição
Moradores de comunidades pesqueiras no litoral de Pernambuco relatam que os mariscos, frutos do mar tradicionais na gastronomia nordestina, estão cada vez menores. Segundo a oceanógrafa Fiamma Abreu, pesquisadora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), o aumento da temperatura e a redução do pH dos ambientes aquáticos, causados pelas mudanças climáticas, tornam os mariscos mais frágeis. "As conchas, de carbonato de cálcio, vão ficando mais finas, e eles estão se tornando menos resistentes", explica Abreu. A poluição, especialmente por óleo proveniente de atividades industriais e tráfego de embarcações, também compromete a qualidade da água, afetando a saúde e a reprodução dos mariscos.
Consequências para comunidades pesqueiras
A redução no tamanho dos mariscos tem impactado diretamente as comunidades que dependem da pesca desses animais. Em Igarassu, no Grande Recife, pescadores e marisqueiras da Praia de Mangue Seco relatam dificuldades para manter o sustento devido à diminuição na quantidade e no tamanho dos mariscos capturados. A poluição e as mudanças climáticas não apenas enfraquecem as conchas dos moluscos, mas também reduzem sua população, agravando a situação para as famílias que vivem da pesca.