Desmatamento na Mata Atlântica atinge menor nível em 40 anos, aponta levantamento da SOS Mata Atlântica
O desmatamento na Mata Atlântica registrou queda de 40% em 2025, atingindo o menor patamar em quatro décadas, segundo levantamento da ONG SOS Mata Atlântica. Dos 17 estados do bioma, 13 reduziram a perda de vegetação, enquanto Pernambuco, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina apresentaram aumento. Projetos de reflorestamento e fiscalização reforçada contribuíram para o resultado, mas especialistas alertam para riscos de retrocessos legislativos.
Dados do levantamento
O desmatamento na Mata Atlântica somou 8.668 hectares em 2025, uma redução de 40% em relação ao ano anterior. O monitoramento, realizado pela ONG SOS Mata Atlântica em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE), abrange 40 anos de dados e revela que 13 dos 17 estados do bioma reduziram a perda de vegetação nas áreas de floresta madura. No entanto, Pernambuco, Minas Gerais, Paraná e Santa Catarina registraram aumento no desmatamento.
Iniciativas de preservação
Projetos locais de reflorestamento têm contribuído para a recuperação do bioma. A aposentada Ivani Lemes Cobra, por exemplo, plantou mais de 500 mudas de espécies nativas em uma área que antes era pasto e recebeu outras 800 mudas após participar de um curso de reflorestamento. "Plantar árvore é plantar água. E uma terra sem água não tem valor, não tem utilidade", afirmou Ivani. A Mata Atlântica abriga sete em cada dez brasileiros e é considerada o bioma mais devastado do país.
Desafios e alertas
Apesar da redução, especialistas alertam para a necessidade de manter a vigilância. "A maior parte das áreas desmatadas está em propriedades privadas. Isso nos alerta e nos clama a convocar essa população, os donos das áreas ainda remanescentes, para que protejam", destacou Silvana Amaral, pesquisadora do INPE. O diretor da SOS Mata Atlântica, Luís Fernando Guedes Pinto, ressaltou o risco de retrocessos legislativos: "A gente tem constantes propostas de mudanças de lei no Congresso Nacional e nas assembleias legislativas afrouxando a legislação ambiental, o que pode levar à inversão da trajetória do desmatamento."