MP do Rio Grande do Sul cobra cronograma para ampliação de câmeras corporais na Brigada Militar
O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) abriu inquérito para investigar a ausência de câmeras corporais em unidades do interior e batalhões de elite da Brigada Militar. A tecnologia, já utilizada na Região Metropolitana desde outubro de 2024, registra atuações policiais em tempo real e contribuiu para redução de 59% em mortes em ações da corporação. Apesar dos resultados positivos, apenas 1.250 câmeras estão disponíveis para um efetivo de 18 mil policiais.
Resultados positivos e limitações no uso das câmeras
Desde a implementação das câmeras corporais na Região Metropolitana de Porto Alegre, a Brigada Militar registrou redução significativa em indicadores de violência durante operações. Dados da Secretaria da Segurança Pública apontam queda de 74% em conflitos, 87% em casos de resistência, 70% em desacatos e 65% em desobediência. As mortes em ações policiais diminuíram 59%. No entanto, a tecnologia ainda não está disponível em batalhões do interior do estado, como os do Vale dos Sinos, nem em unidades de elite, como o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e o Batalhão de Choque. Atualmente, apenas cerca de 1.250 câmeras estão em uso para um efetivo de aproximadamente 18 mil policiais.
Importância das câmeras para transparência e investigações
A promotora de Justiça de Controle Policial Anelise Haertel Grehs destacou que as câmeras corporais têm sido fundamentais para esclarecer casos graves envolvendo agentes da Brigada Militar. Segundo ela, imagens já auxiliaram na elucidação de episódios de tortura e abuso de autoridade, servindo como provas essenciais. O Ministério Público busca agora um cronograma para a expansão do uso dos equipamentos em toda a corporação. Caso não haja acordo com o governo estadual, o MPRS poderá acionar a Justiça para garantir a obrigatoriedade da implementação.