Raposas e pássaros podem indicar disseminação de superbactérias fora de hospitais, aponta estudo
Pesquisa publicada na revista 'Frontiers in Microbiology' revela que raposas-vermelhas, corvos e aves aquáticas carregam bactérias resistentes a antibióticos sem adoecer. O monitoramento desses animais pode ajudar a detectar o avanço de superbactérias em ambientes urbanos, rurais e naturais. Estudo analisou quase 500 amostras de fezes coletadas no norte da Itália.
Animais como indicadores de resistência bacteriana
Um estudo conduzido por Mauro Conter, professor da Universidade de Parma, na Itália, e equipe, identificou que raposas-vermelhas, corvos e aves aquáticas podem atuar como vetores de bactérias resistentes a antibióticos. As espécies foram escolhidas por transitarem entre ambientes urbanos, rurais e naturais, facilitando a disseminação de microrganismos. "Focamos em raposas e pássaros porque eles são muito móveis e frequentemente vivem na interface entre ambientes dominados por humanos e ambientes naturais", explicou Conter ao G1. As raposas, por exemplo, forrageiam perto de assentamentos humanos e áreas agrícolas, enquanto aves podem percorrer longas distâncias, conectando diferentes habitats.
Resultados da pesquisa
Os pesquisadores analisaram 498 amostras de fezes coletadas no norte da Itália. Embora nenhum dos animais estudados receba antibióticos diretamente, eles entram em contato com resíduos humanos, esgoto, descargas hospitalares e dejetos de criações animais, fontes potenciais de bactérias resistentes. O estudo detectou a presença da bactéria *Klebsiella pneumoniae*, conhecida por sua resistência a múltiplos antibióticos, nas amostras. A circulação desses animais pode redistribuir as bactérias, ampliando o risco de disseminação para além de hospitais e fazendas.
Implicações para a saúde pública
A pesquisa sugere que o monitoramento de fauna silvestre pode ser uma estratégia eficaz para antecipar surtos de superbactérias em ambientes não hospitalares. A detecção precoce permitiria a implementação de medidas de contenção antes que as bactérias atinjam populações humanas ou animais de criação. O estudo destaca a necessidade de integrar dados ecológicos e microbiológicos para compreender melhor a dinâmica de resistência aos antibióticos.