Sociólogo Raymond Williams Documenta Declínio do Significado de "Experiência"
O sociólogo e crítico cultural Raymond Williams, em seu trabalho de 1976, registrou uma mudança no significado da palavra "experiência", que passou de conhecimento obtido pela prova e atrito com o real para a simples consciência imediata do presente. Cinco décadas depois, essa transformação se intensificou, onde o fluxo contínuo de informações sacrifica a elaboração e a capacidade de situar eventos em um contexto maior.
A Evolução do Conceito de "Experiência"
Raymond Williams, em seu verbete sobre "experiência" para o volume "Palavras-chave", publicado pela Boitempo, observou um declínio no significado da palavra. Originalmente associada ao conhecimento adquirido através da vivência, do embate com a realidade e da elaboração pessoal, "experiência" passou a designar, cada vez mais, a consciência imediata do momento presente. Williams, em 1976, já documentava essa transição, onde a sensação direta não necessitava de mediação nem do tempo necessário para a sedimentação do saber.
A Condição Atual da Informação e da Política
Cinco décadas após a observação de Williams, o que era um declínio se tornou uma condição existencial. A política, em particular, exibe essa dinâmica com clareza. O acesso sem precedentes às informações internas da política resultou em uma proliferação de opiniões desprovidas de lastro, que se fundamentam na ausência de memória. A exposição se confunde com o entendimento, e a capacidade de contextualizar o presente em processos históricos ou contradições preexistentes é perdida. A memória curta se estabeleceu como a norma, impedindo a elaboração e a compreensão profunda dos eventos.