Conflitos agrários no Brasil atingem recorde em 2020 com 1.608 ocorrências; Rondônia e Pará lideram assassinatos
O relatório 'Conflitos no Campo Brasil 2020', divulgado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), registrou 1.608 ocorrências de conflitos por terra no país, o maior número desde 1985. Mato Grosso liderou os casos no Centro-Oeste, com 169 ocorrências e 13.029 famílias envolvidas. Rondônia e Pará destacaram-se negativamente nos índices de assassinatos relacionados a conflitos agrários.
Dados gerais dos conflitos em 2020
A 35ª edição do relatório 'Conflitos no Campo Brasil 2020', elaborado pela Comissão Pastoral da Terra (CPT), revelou um recorde histórico de 1.608 ocorrências de conflitos por terra no Brasil, envolvendo 171.968 famílias. Esse número representa um aumento de 25% em relação a 2019 e 57,6% comparado a 2018. Os conflitos incluem pistolagem, expulsões, despejos, ameaças, invasões, destruição de roças, casas e bens. O Centro de Documentação da CPT Dom Tomás Balduino (CEDOC) foi responsável pela sistematização dos dados.
Mato Grosso no centro dos conflitos no Centro-Oeste
Mato Grosso foi o estado com mais casos de conflitos por terra no Centro-Oeste em 2020, ocupando a terceira posição nacional. Foram registradas 169 ocorrências, um aumento de 96% em relação a 2019, quando houve 86 casos. O relatório destacou que, apesar da diminuição em ações como expulsões e ameaças de despejo, a violência dessas ações aumentou. A destruição de casas cresceu 101%, chegando a 324 casos, enquanto a destruição de roças aumentou 498%, totalizando 419 ocorrências. Invasões de territórios saltaram de 2.288 em 2019 para 6.916 em 2020, um aumento de 202%. Além disso, foram registradas 719 ações de pistolagem no estado.
Violência extrema e liderança em assassinatos
Embora o relatório não detalhe os números específicos de assassinatos por estado no trecho analisado, é mencionado que Rondônia e Pará lideram o ranking de assassinatos por conflitos agrários. A CPT também observou um aumento na violência das ações contra povos do campo, indígenas, quilombolas e demais comunidades tradicionais, refletindo um cenário de crescente tensão e impunidade nas áreas rurais do país.