Pesca do mapará impulsiona economia e inclusão feminina em Alenquer, Pará
A tradicional pesca artesanal do mapará começou em Alenquer, no oeste do Pará, mobilizando centenas de pescadores e marcando a inclusão crescente de mulheres na atividade. A comunidade adota estratégias sustentáveis para preservar a espécie e valorizar o produto, estendendo o período de defeso e utilizando métodos de captura controlados. A presença feminina nas equipes de pesca fortalece a economia local e representa uma mudança social significativa.
Estratégias sustentáveis e impacto econômico
A pesca do mapará, iniciada na comunidade Urucurituba, em Alenquer, segue um acordo de pesca estruturado para garantir a preservação da espécie. Os pescadores locais optam por estender o período de defeso além do prazo oficial, iniciando a captura apenas após o dia 15 de abril, visando obter melhores preços no mercado. O método de pesca é rigorosamente artesanal: as canoas são movidas a remo, e cada embarcação utiliza apenas cinco panos de malhadeira, evitando a sobrepesca. Ernani Simões, vice-presidente da comunidade, destaca que a estratégia busca equilibrar a demanda econômica com a sustentabilidade dos estoques pesqueiros.
Inclusão feminina na pesca artesanal
A participação das mulheres na pesca do mapará representa uma transformação social na região. Inicialmente, as pescadoras trabalhavam em equipes exclusivas, mas após demonstrarem eficiência, passaram a integrar as equipes principais ao lado dos homens. Aurilete Sousa, pescadora local, relata que a mudança ocorreu após os homens reconhecerem a habilidade feminina: 'Elas pescavam era mulher com mulher. Aí depois que os homens viram que elas também tinham o jeito de pescar, aí eles pegaram, já botaram ela na proa da canoa...'. Essa inclusão fortaleceu a economia doméstica das famílias ribeirinhas e consolidou um novo paradigma na atividade pesqueira da região.