Ex-superintendente da PF questiona autonomia da corporação após nota inédita de 27 superintendentes em apoio à direção-geral
O ex-chefe da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, criticou a divulgação de uma nota conjunta assinada por 27 superintendentes regionais em apoio ao diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Saraiva classificou o movimento como inédito e alertou para uma possível mudança na cultura da corporação, sugerindo que o alinhamento pode estar ligado a interesses profissionais futuros. A nota reafirma compromisso com a Constituição e o Estado Democrático de Direito.
Nota inédita e questionamentos sobre autonomia
O ex-superintendente da Polícia Federal no Amazonas, Alexandre Saraiva, questionou a autonomia da corporação após a divulgação de uma nota assinada por 27 superintendentes regionais em apoio à direção-geral da PF, comandada por Andrei Rodrigues. Saraiva, que atuou por 23 anos na instituição, destacou o ineditismo do documento e sugeriu que o alinhamento dos chefes locais com a direção-geral pode refletir uma mudança na cultura da PF, onde manifestações de apoio passam a funcionar como 'indulgências profissionais'. Segundo ele, 'a autonomia não precisou ser formalmente revogada. Bastou multiplicar metas, fluxos, valorações'. A nota, divulgada na quinta-feira (6), reafirma o compromisso da PF com a Constituição, a legalidade e o Estado Democrático de Direito.
Trajetória de Saraiva e contexto das críticas
Alexandre Saraiva comandou a Polícia Federal no Amazonas e, durante sua gestão, apresentou uma notícia-crime contra o então ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, em 2020. Após o episódio, foi substituído e transferido para o Rio de Janeiro. No mesmo ano, prestou depoimento em inquérito que investigava suposta interferência do ex-presidente Jair Bolsonaro na PF, após a saída do então ministro da Justiça, Sérgio Moro. Saraiva afirmou que a nota dos superintendentes não se limita à defesa de operações ou investigações, mas pode estar relacionada a perspectivas de carreira dentro da corporação. 'Quando posições passam a funcionar como indulgências profissionais, não são apenas algumas carreiras que mudam. Muda a cultura inteira', declarou.