Pobreza de refrigeração: calor extremo ameaça milhões em favelas e periferias globais
Estudo revela que quase 600 milhões de pessoas em 28 países enfrentam 'pobreza sistêmica de refrigeração', com impactos desproporcionais em regiões como o sul da Ásia e a África Subsaariana. No Brasil, favelas como a Rocinha, no Rio de Janeiro, sofrem com ilhas de calor, falta de infraestrutura e acesso limitado a recursos básicos para mitigar temperaturas extremas, agravando riscos à saúde.
Desigualdade no acesso à refrigeração
Um estudo recente aponta que a 'pobreza sistêmica de refrigeração' afeta cerca de 600 milhões de pessoas em 28 países, principalmente em desenvolvimento. Regiões como o sul da Ásia e a África Subsaariana concentram os maiores índices de vulnerabilidade, onde populações enfrentam temperaturas extremas sem acesso a infraestrutura básica, como áreas verdes, transporte público eficiente ou água potável. No Rio de Janeiro, favelas como a Rocinha exemplificam essa realidade: moradores vivem em ilhas de calor, com telhados de metal que intensificam o aquecimento e calçadas de concreto que retêm calor mesmo após o pôr do sol. A ausência de espaços públicos frescos e bebedouros agrava a exposição ao calor, tornando-o um risco constante à saúde.
Impactos globais do calor extremo
O calor extremo não é um fenômeno isolado. No verão de 2025, a Europa registrou temperaturas recordes, com máximas de 46°C na Espanha e 46,6°C em Portugal. Nos Estados Unidos, mais de 150 milhões de pessoas enfrentaram alertas de calor, enquanto na América Latina, África Ocidental e sul da Ásia, as ondas de calor tornaram-se recorrentes. No entanto, os efeitos são mais severos em áreas com infraestrutura precária. No Rio de Janeiro, por exemplo, a falta de planejamento urbano e de políticas públicas direcionadas expõe moradores de favelas a condições climáticas adversas, sem mecanismos de adaptação ou alívio imediato. O estudo destaca que a desigualdade no acesso à refrigeração reflete disparidades socioeconômicas e geográficas, exigindo ações coordenadas para mitigar riscos.