Hantavírus: Surto em navio e caso fatal em Minas Gerais reacendem alerta para doença negligenciada no Brasil
Autoridades confirmaram um óbito por hantavírus em Minas Gerais, diagnosticado três meses após a morte. Simultaneamente, um surto em navio holandês na Antártida deixou três mortos e oito infectados, elevando a visibilidade global da doença. A letalidade no Brasil é de 46,5%, mas subnotificação sugere números reais mais altos.
Diagnóstico tardio e subnotificação no Brasil
Em 11 de maio de 2026, o governo de Minas Gerais confirmou que um óbito ocorrido em fevereiro, inicialmente sem causa definida, foi provocado por hantavírus. O diagnóstico demorou três meses, refletindo um padrão recorrente no país: a doença, que circula há mais de três décadas, é frequentemente confundida com gripe ou dengue. A confirmação depende de laboratórios especializados, geralmente vinculados à vigilância epidemiológica, e muitos casos só são identificados postumamente. O Ministério da Saúde registra uma letalidade de 46,5%, mas especialistas alertam que a subnotificação pode mascarar uma realidade mais grave.
Surto em navio na Antártida: primeiro registro em embarcação
Na mesma semana, o navio holandês MV Hondius, em expedição da Argentina à Antártida com 147 pessoas a bordo, registrou oito casos e três mortes por hantavírus. O surto, inédito em embarcações, levou portos europeus a recusarem o desembarque e a OMS a classificar o risco global como baixo. A origem da contaminação ainda é investigada, mas a hipótese principal aponta para roedores silvestres em áreas de escala ou suprimentos contaminados.
Transmissão e sintomas: o que dizem os especialistas
O hantavírus é transmitido por roedores silvestres, que eliminam o patógeno pela urina, fezes e saliva. Quando essas excreções secam em ambientes fechados — como galpões, paióis ou casas abandonadas —, o vírus pode ser inalado em partículas suspensas no ar. Os sintomas iniciais incluem febre, dores musculares e fadiga, evoluindo para insuficiência respiratória em casos graves. A ausência de tratamento específico e a dependência de suporte intensivo reforçam a importância do diagnóstico precoce, ainda um desafio no Brasil.