Peru completa dez dias de apuração eleitoral sem resultado e chefe do órgão eleitoral renuncia em meio a crise
A contagem dos votos das eleições presidenciais no Peru ultrapassou dez dias sem definição sobre os candidatos que disputarão o segundo turno, marcado para 7 de junho. O chefe do Júri Nacional de Eleições (JNE) renunciou, e a disputa pela segunda vaga permanece acirrada entre Roberto Sánchez (esquerda) e Rafael López Aliaga (direita conservadora), separados por cerca de 15 mil votos. Quase 1 milhão de votos em atas com irregularidades ainda precisam ser revisados, prolongando a crise política no país.
Contexto da disputa eleitoral
A única candidata já confirmada para o segundo turno é Keiko Fujimori. A segunda vaga está em disputa entre o candidato de esquerda Roberto Sánchez, representante de uma coalizão progressista, e o ultraconservador Rafael López Aliaga. Com aproximadamente 94% das urnas apuradas, os dois estão separados por cerca de 14 mil a 15 mil votos, um cenário que tem intensificado as tensões políticas no Peru. López Aliaga chegou a oferecer uma recompensa de R$ 29 mil por provas de fraude eleitoral, alimentando ainda mais a polarização.
Causas da demora na apuração
A lentidão na apuração é atribuída a um elevado número de atas eleitorais com irregularidades, totalizando quase 1 milhão de votos distribuídos em 5.143 atas. Cada uma dessas atas precisa ser revisada individualmente por juízes eleitorais, um processo que, segundo a secretária-geral do JNE, Yessica Clavijo, pode levar até três dias por documento. Além disso, os peruanos votaram simultaneamente em cinco eleições diferentes, o que multiplicou o volume de dados a serem conferidos e aumentou a complexidade do processo.
Estratégias políticas e impugnações
Especialistas apontam que a demora também é resultado de uma estratégia política adotada por partidos em disputas apertadas. Segundo o cientista político Fernando Tuesta, as impugnações em massa, inclusive em regiões onde o candidato que reclama está em desvantagem, têm como objetivo retirar votos do adversário e alongar o processo eleitoral. "O objetivo das impugnações em massa é tirar votos do adversário e prolongar a apuração", afirmou Tuesta à AFP. Essa tática tem sido utilizada como forma de pressionar o sistema eleitoral e tentar reverter resultados desfavoráveis.