Escritora Meena Kandasamy lança 'Fieldwork As a Sex Object' e expõe deepfake e misoginia na internet indiana
Meena Kandasamy, autora de 'When I Hit You', retorna com uma narrativa afiada e cômica sobre o assédio online e a misoginia na 'manosfera' indiana. O livro aborda o impacto de um vídeo deepfake falsamente atribuído à protagonista Amy Chaturvedi, ativista comunista em Londres, e revela os mecanismos de ódio e perseguição nas redes sociais indianas, dominadas por trolls de extrema-direita.
Contexto e enredo
Em 'Fieldwork As a Sex Object', Meena Kandasamy explora o universo tóxico da internet indiana, onde algoritmos perversos, um governo de extrema-direita e tensões étnicas, religiosas e de gênero criam um ambiente ainda mais hostil que plataformas ocidentais como X e Facebook. A protagonista, Amy Chaturvedi, uma ativista comunista de classe alta que vive em Londres, acorda um dia para descobrir que um vídeo deepfake com seu rosto — mas não seu corpo — viralizou. Apesar de Amy ser sexualmente livre e transgressora, o vídeo não é real, mas isso não impede a onda de ódio e difamação. Os agressores são descritos como 'um bando de pênis vegetarianos, amantes de nazistas e islamofóbicos', cujas fotos de perfil variam entre o Coringa e V de Vingança. Para esses trolls, Amy é acusada de ser membro de um 'gangue tukde-tukde' que busca dividir a Índia, estar a serviço do Paquistão e ser financiada por George Soros.
A misoginia e o ódio na 'manosfera' indiana
Kandasamy expõe com humor ácido as contradições e hipocrisias dos trolls indianos, que incluem homens frustrados com mulheres, desejosos de serem seguidos pelo primeiro-ministro Narendra Modi, temerosos de muçulmanos e consumidos pela raiva. O livro destaca como a internet indiana, com sua combinação de algoritmos nocivos, uma população massiva e um governo habilidoso em manipulação digital, se tornou um campo minado de ódio. A autora não poupa críticas ao ambiente político e social da Índia, onde questões de casta, misoginia e antagonismos religiosos alimentam a violência online. A narrativa de Kandasamy é tanto uma denúncia quanto uma sátira, revelando como a tecnologia deepfake é usada para silenciar e humilhar mulheres, especialmente aquelas que desafiam o status quo.