Cannabis e lúpulo compartilham genes sexuais de 28 milhões de anos, revela estudo
Pesquisadores da University College Dublin descobriram que plantas de cannabis e lúpulo, usado na produção de cerveja, compartilham genes antigos que controlam o desenvolvimento sexual. A origem comum desses genes remonta a um ancestral de 12 a 28 milhões de anos. A descoberta destaca como sistemas genéticos herdados persistem mesmo após a separação evolutiva das espécies.
Descoberta genética e implicações
Cientistas mapearam uma região específica do cromossomo X da cannabis, contendo apenas 60 mil letras de DNA, onde identificaram três genes vizinhos: CsREM16, lncREM16 e CsKAN4. Esses genes apresentam padrões de atividade distintos conforme o sexo da planta. O CsREM16 mostrou-se ativo em plantas femininas e hermafroditas, enquanto o lncREM16 foi associado a amostras masculinas. O CsKAN4, com menor atividade, foi relacionado a flores mistas. Diferentemente dos animais, na cannabis, o cromossomo X desempenha papel crucial na determinação sexual, com plantas femininas carregando dois cromossomos X e masculinas, um X e um Y.
Aplicações práticas na produção
A diferenciação sexual é fundamental para produtores de lúpulo e cannabis. Cervejeiros preferem plantas femininas de lúpulo, responsáveis pela produção dos cones usados na fabricação de cerveja. Cultivadores de cannabis também priorizam plantas femininas, cujas flores geram resina rica em canabinoides. Para o cânhamo de fibra, plantas hermafroditas são mais vantajosas por crescerem de forma uniforme. A região genética Monoecy1, no entanto, explicou apenas 15% da característica, sugerindo que outros fatores influenciam o desenvolvimento sexual. Criadores poderiam utilizar o mapeamento genético para desenvolver testes precoces que identifiquem o sexo das plantas.