Morre aos 101 anos Visitación de Loyola, histórica integrante das Mães da Praça de Maio
A ativista argentina Visitación Folgueiras de Loyola, uma das figuras mais emblemáticas das Mães da Praça de Maio, faleceu aos 101 anos após sofrer um AVC. Loyola dedicou sua vida à luta por justiça pelo desaparecimento de seu filho e nora durante a ditadura militar argentina. Ela foi reconhecida por sua perspicácia política e resistência contra o neoliberalismo, criticando duramente o governo de Javier Milei.
Trajetória e luta pelos direitos humanos
Visitación de Loyola, de origem espanhola mas radicada na Argentina, tornou-se uma das vozes mais ativas na busca por justiça após o sequestro e desaparecimento de seu filho, Roberto Mario, e de sua nora, Dominga Antonia Maizano, em 21 de dezembro de 1976, durante a ditadura militar argentina. Seu filho, delegado estudantil, e sua nora, que realizava trabalho social em favelas, foram vítimas do regime. Loyola destacou-se por sua capacidade de unir a luta por memória histórica com a resistência política, sendo descrita por Hebe de Bonafini, ex-presidente das Mães da Praça de Maio, como a mãe que mais entendia de política.
Críticas ao governo Milei e legado
Em sua última aparição pública, em outubro de 2025, Loyola manteve uma postura firme contra o governo do presidente Javier Milei, classificando-o como um "canalha" e conclamando as forças populares a lutarem pela liberdade da ex-presidente Cristina Kirchner e pela eleição de Axel Kicillof. Ela participou ativamente das comemorações dos 50 anos do golpe de Estado na Argentina, em março de 2026, reafirmando seu compromisso com a memória histórica e a justiça. Sua morte representa uma perda significativa para os movimentos de direitos humanos na América Latina.