Pesquisadores declaram emergência para jumentos nordestinos e alertam para risco de extinção e ameaças sanitárias
Pesquisadores brasileiros e internacionais oficializaram a 'Declaração de Salvador', alertando para o risco iminente de extinção dos jumentos nordestinos devido ao abate indiscriminado. O documento também destaca riscos sanitários, como disseminação de zoonoses e contaminação por metais pesados, associados ao comércio internacional de peles dos animais. A Justiça Federal já proibiu o abate na Bahia após constatar maus-tratos e falhas nos abatedouros.
Risco de extinção e impactos sanitários
A 'Declaração de Salvador', elaborada durante o IV Workshop Internacional Jumentos do Brasil: Futuro Sustentável, realizado na Assembleia Legislativa da Bahia (Alba) entre 6 e 9 de maio de 2026, aponta que o Brasil perdeu 94% da população de jumentos entre 1996 e 2025. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do sistema Agrostat, a redução drástica coloca a espécie em risco iminente de extinção. Além disso, o documento alerta para riscos sanitários, como a disseminação de zoonoses e contaminação por metais pesados, decorrentes do comércio internacional de peles dos animais, destinadas principalmente à produção de ejiao, um produto utilizado na medicina tradicional chinesa.
Proibição e mobilização contra o abate
Em abril de 2026, a Justiça Federal proibiu o abate de jumentos na Bahia após constatar maus-tratos no processo de criação e falhas sanitárias nos abatedouros. A decisão reforça a necessidade de rastreabilidade dos animais e de controles sanitários mais rigorosos para evitar ameaças à saúde pública no Brasil e nos países importadores. Especialistas de instituições como a Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal da Bahia (Ufba), Universidade Federal do Paraná (UFPR) e Universidade Federal de Alagoas (Ufal) participaram da elaboração da declaração e defendem o fim do abate como medida urgente para preservação da espécie.