Governo de Javier Milei ameaça cortar verbas do Banco Nacional de Dados Genéticos da Argentina
O governo argentino de Javier Milei anunciou corte de verbas para o Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG), essencial na identificação de crianças sequestradas durante a ditadura militar (1976-1983). Uma decisão judicial temporária suspendeu a medida, mas o prazo para apresentação de um plano alternativo pelo Executivo vence nesta sexta-feira (22/05). As Avós da Praça de Maio buscam nova intervenção judicial para evitar danos irreversíveis às buscas por netos apropriados.
Contexto e importância do BNDG
O Banco Nacional de Dados Genéticos (BNDG) foi criado em 1987, durante o governo de Raúl Alfonsín, para auxiliar na identificação de crianças sequestradas durante a ditadura militar argentina (1976-1983). Administrado em parceria com o Ministério da Ciência e Tecnologia e o Ministério da Justiça, o banco possui mais de mil perfis genéticos de familiares de desaparecidos e mais de 32 mil amostras de pessoas nascidas entre as décadas de 1970 e 1980. O BNDG é fundamental para as Avós da Praça de Maio, organização que já restituiu a identidade de 133 netos apropriados ilegalmente.
Decisão judicial e reação das Avós da Praça de Maio
O juiz Alejo Ramos Padilla emitiu uma cautelar suspendendo o corte de verbas anunciado pelo governo de Javier Milei, determinando que a Secretaria Geral da Presidência apresentasse um plano para garantir a continuidade das operações do BNDG. O prazo para a apresentação do plano expira nesta sexta-feira (22/05), mesmo dia em que a cautelar perde validade. As Avós da Praça de Maio entraram com novo pedido judicial para renovar a medida ou derrubar definitivamente o corte, argumentando que a interrupção do financiamento causaria 'danos irreversíveis' às investigações em andamento e futuras buscas por identidades.