Estudo revela novas evidências sobre início da tectônica de placas no Brasil
Pesquisadores brasileiros analisaram 15 mil amostras do mineral rutilo e identificaram indícios de que a movimentação das placas tectônicas pode ter começado entre 3,2 bilhões e 3 bilhões de anos atrás na região que hoje corresponde ao Brasil. Descobertas recentes desafiam datações anteriores e apontam para uma atividade tectônica mais antiga do que se imaginava.
Descobertas baseadas em análises de rutilo
Geólogos da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e de outras instituições brasileiras examinaram amostras do mineral rutilo, formado sob condições de alta pressão e baixa temperatura, típicas de zonas de colisão de placas tectônicas. As análises de 15 mil amostras indicaram que a tectônica de placas pode ter começado a operar entre 3,2 bilhões e 3 bilhões de anos atrás, durante o período Arqueano, quando a crosta terrestre estava em formação e havia intensa atividade vulcânica. Estudos anteriores sugeriam que esse processo teria se iniciado entre 2,1 bilhões e 1,8 bilhão de anos atrás.
Implicações para a geologia global
Os resultados, publicados na revista *Earth and Planetary Science Letters* em 1º de maio de 2026, reforçam a hipótese de que a tectônica de placas pode ter se manifestado de forma precoce em diferentes regiões do planeta. Rochas da Chapada Diamantina, com idades entre 1,8 bilhão e 1 bilhão de anos, também apresentaram grãos de rutilo que corroboram a movimentação de placas em períodos mais antigos. O geólogo Rodrigo Cerri, da Unesp, destacou que as evidências apontam para uma dinâmica tectônica já ativa no Arqueano, período marcado pela formação inicial da crosta terrestre.