Guerra no Oriente Médio eleva custos de tecidos e fretes em até 40% e ameaça abastecimento no Brasil
Conflito no Oriente Médio provoca alta de 30% a 40% nos preços de fibras sintéticas como poliéster e náilon, além de encarecer fretes marítimos. Indústria têxtil brasileira enfrenta atrasos em entregas e risco de desabastecimento, com impactos diretos em polos produtores como Ibitinga (SP).
Impacto nos preços e logística
A guerra no Oriente Médio provocou um aumento significativo nos preços de fibras sintéticas derivadas do petróleo, como poliéster e náilon, com alta registrada entre 30% e 40%, segundo a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (ABIT). Além do encarecimento dos insumos, os custos logísticos dispararam devido a rotas marítimas mais longas para evitar zonas de risco, elevando os valores dos fretes internacionais. Navios cargueiros foram forçados a desviar trajetos, resultando em atrasos nas entregas e impactando diretamente a cadeia produtiva do setor têxtil no Brasil, especialmente no centro-oeste paulista.
Risco de desabastecimento em polos produtores
O município de Ibitinga (SP), conhecido como a 'Capital do Enxoval e do Bordado', é um dos mais afetados pela crise. Fábricas locais, que dependem do poliéster para a produção de colchas, edredons e cobertores, enfrentam dificuldades no abastecimento de matéria-prima. A combinação de preços elevados e atrasos logísticos ameaça a continuidade da produção, podendo levar a um desabastecimento no mercado interno. O diretor superintendente da ABIT, Fernando Pimentel, destacou que os desvios nas rotas marítimas e o aumento dos fretes são os principais fatores para a instabilidade no setor.