Presidente do BC, Gabriel Galípolo, depõe em CPI sobre Banco Master e nega culpa de Campos Neto
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, compareceu à CPI do Crime Organizado para prestar esclarecimentos sobre a atuação da autoridade monetária no caso do Banco Master, liquidado em novembro do ano anterior. Galípolo afirmou que não há auditorias que apontem culpa do ex-presidente Roberto Campos Neto e negou ter discutido o caso Master com o ministro Alexandre de Moraes, afirmando que as reuniões com o magistrado se limitavam à sanção Magnitsky.
Depoimento de Gabriel Galípolo na CPI
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, prestou depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado nesta quarta-feira (8). Galípolo foi convocado para esclarecer a atuação do BC no caso do Banco Master, instituição financeira liquidada em novembro de 2025 após o dono, Daniel Vorcaro, ser alvo de operação da Polícia Federal por fraudes financeiras. O convite a Galípolo foi aprovado a partir de requerimento do senador Eduardo Girão, que manifestou dúvidas sobre a finalidade institucional de uma suposta reunião de Galípolo com Vorcaro e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Galípolo afirmou que recebeu orientação para agir de forma técnica e que sempre gozou de autonomia para trabalhar, sem proteger ou perseguir ninguém, e negou ter tido outras reuniões sobre o caso. Seu antecessor, Roberto Campos Neto, foi convocado, mas faltou pela terceira vez. Campos Neto presidiu o BC entre 2019 e 2025, período em que surgiram as primeiras suspeitas contra o Master.
Ausência de Roberto Campos Neto e declarações sobre o caso Master
O presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, declarou que não há em nenhum processo de auditoria ou sindicância da autoridade monetária algo que aponte qualquer culpa do ex-presidente Roberto Campos Neto em relação ao tratamento do caso Banco Master. Galípolo fez a afirmação durante seu depoimento na CPI, onde foi questionado sobre a atuação de Campos Neto no BC. O presidente Lula tem dito que o escândalo do Master tem origem na gestão de Jair Bolsonaro, que indicou Roberto Campos Neto ao Banco Central, chegando a classificar o banco como o 'ovo da serpente' de Bolsonaro e do ex-presidente do BC.
Conversa com Ministro Alexandre de Moraes e Sanção Magnitsky
Gabriel Galípolo afirmou que, durante reuniões com o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), tratou somente sobre a sanção norte-americana da Lei Magnitsky contra o magistrado, e não sobre o escândalo do Banco Master. Segundo Galípolo, os temas das conversas com ministros do STF sempre envolviam a sanção Magnitsky, privacidade e sigilo bancário e financeiro. O presidente do BC também relatou ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes a se declarar impedido em eventual julgamento de ações relacionadas às fraudes do Banco Master no STF, citando contrato do banco com o escritório de advocacia da esposa do ministro e alertando para não permitir que o caso prejudicasse sua biografia. O ministro Moraes enviou ao plenário do STF uma ação do PT que questiona limites para acordos de delação premiada, tendo ele próprio como relator.
Martha Graeff e o caso Master
Martha Graeff, ex-noiva de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, divulgou um vídeo em rede social afirmando que não sabia de irregularidades do banco, que não ganhou presentes de luxo e criticando o vazamento de mensagens íntimas entre ela e o ex-companheiro. O nome de Graeff ganhou destaque após a divulgação de conversas de WhatsApp com Vorcaro, onde o dono do Master relatava proximidade com autoridades.