Governo planeja ajuste fiscal gradual para reduzir juros em eventual novo mandato de Lula
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, anunciou que, em um eventual novo mandato do presidente Lula, a equipe econômica planeja um ajuste gradual das contas públicas de cerca de dois pontos do PIB. O objetivo é conter o crescimento da dívida pública e reduzir a taxa de juros, que atualmente é uma das mais altas do mundo em termos reais. O plano envolve a manutenção do arcabouço fiscal, corte de gastos obrigatórios e aumento de arrecadação, buscando transmitir credibilidade ao mercado financeiro para estabilizar a dívida e melhorar o ambiente para investimentos e produção.
Estratégia de Ajuste e Juros
O ministro Durigan destacou que o ajuste de 2% do PIB é fundamental para mostrar que não há 'navegação no escuro'. A estratégia visa equilibrar a manutenção de gastos sociais com a necessidade de conter o endividamento público, que pressiona a taxa de juros básica. Analistas alertam que, embora a arrecadação tenha subido, o aumento das despesas tem neutralizado os ganhos fiscais, exigindo medidas mais robustas para garantir a solvência do país.
Projeções e Desafios
Dados do Tesouro Nacional mostram uma deterioração do resultado primário entre 2022 e 2026. Para estabilizar a dívida, a Instituição Fiscal Independente (IFI) aponta a necessidade de um superávit primário de 2,1% do PIB. O mercado financeiro, por sua vez, questiona se o ajuste anunciado será estrutural ou apenas uma mudança na carga tributária, já que o gasto público tem crescido em ritmo acelerado por medidas discricionárias.