Líder militar de Burkina Faso declara "democracia mata" e descarta eleições
O líder militar de Burkina Faso, Ibrahim Traoré, que assumiu o poder em um golpe em setembro de 2022, afirmou que "as pessoas precisam esquecer a democracia" e que "a democracia mata". Traoré, que havia se comprometido a organizar eleições em 2024, declarou que não haverá votações até que o país esteja seguro.
Foco em segurança e descaso com democracia
Em declarações a jornalistas na noite de quinta-feira (2), o capitão Ibrahim Traoré, que tomou o poder em um golpe em setembro de 2022, disse que seu governo está focado em outros desafios e que "a democracia não é para nós". Ele citou a Líbia como exemplo de imposição externa de democracia que resultou em mortes. Traoré suspendeu atividades políticas no país e, em janeiro, dissolveu todos os partidos políticos registrados. Burkina Faso enfrenta há mais de uma década ações de milícias islamistas ligadas à Al-Qaeda e ao Estado Islâmico (EI). Um relatório da Human Rights Watch indica que forças militares de Burkina Faso e seus aliados mataram mais que o dobro de civis em comparação aos militantes islamistas desde 2023, com 1.225 mortes de civis atribuídas às forças governamentais e aliadas entre janeiro de 2023 e agosto de 2025 em 33 incidentes separados.