Maioria dos brasileiros usa IA para elaborar currículos, mas padronização preocupa recrutadores
Pesquisa com 60 mil profissionais em 36 países, incluindo o Brasil, revela que mais da metade dos candidatos utiliza inteligência artificial para adaptar currículos. Especialistas alertam que a tecnologia, embora útil, pode levar à padronização excessiva, dificultando a diferenciação entre perfis e a identificação de candidatos qualificados.
IA como ferramenta de apoio na busca por emprego
Uma pesquisa realizada por uma consultoria de recursos humanos com 60 mil profissionais em 36 países, incluindo o Brasil, aponta que 52% dos candidatos brasileiros utilizam inteligência artificial para aprimorar seus currículos. A tecnologia é empregada principalmente para identificar palavras-chave e adaptar o documento às exigências dos processos seletivos automatizados. Camila Vogel, gerente de contas que voltou ao mercado após 17 anos na mesma empresa, exemplifica o uso da IA: "Eu precisei entender quais padrões estavam sendo usados hoje no mercado. Usei a inteligência artificial para identificar palavras-chave, nomenclaturas de vagas que tinham relação com o meu perfil."
Riscos da padronização e perda de autenticidade
Apesar dos benefícios, recrutadores alertam para um efeito colateral preocupante: a padronização dos currículos. Segundo Lucas Toledo, diretor executivo do Michael Page Brasil, "cada vez mais os currículos ficam parecidos. Isso cria uma dificuldade para o candidato se diferenciar e também para os recrutadores identificarem quem realmente tem um perfil mais aderente à vaga." Alessandro Saade, líder de uma organização sem fins lucrativos que insere jovens no mercado de trabalho, reforça que a IA deve ser usada como apoio, mas não pode substituir experiências pessoais e autenticidade nos documentos.