Proibição de redes sociais para adolescentes gera debate global sobre eficácia e alternativas
Países como Austrália, Alemanha e Brasil adotam medidas para restringir acesso de menores a redes sociais, mas especialistas questionam eficácia das proibições. Pesquisa da OCDE revela que 50% dos jovens de 15 anos passam pelo menos 30 horas semanais em dispositivos digitais. Neurocientistas alertam para simplificação do debate e necessidade de regulação mais ampla das plataformas.
Medidas restritivas pelo mundo
Mais de uma dezena de países discutem ou implementaram restrições ao acesso de menores de idade às redes sociais. A Austrália foi pioneira em 2025, proibindo o uso para menores de 16 anos. No Brasil, o ECA Digital, em vigor desde março de 2026, não proíbe o acesso, mas impõe restrições ao conteúdo acessível por menores. Outros países, como Alemanha, Reino Unido, Nova Zelândia, França, Espanha, Noruega e Indonésia, também adotaram ou debatem medidas similares.
Impacto do uso excessivo de telas
Pesquisa da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) em 2025 apontou que 50% dos jovens de 15 anos nos países membros passam no mínimo 30 horas por semana em dispositivos digitais. Esse uso prolongado tem levantado preocupações sobre consequências negativas para o desenvolvimento cognitivo e social dos adolescentes.
Divisão entre especialistas
Enquanto alguns governos defendem proibições como solução, especialistas divergem sobre a eficácia dessas medidas. Christian Montag, psicólogo e neurocientista da Universidade de Macau, critica o que chama de 'pânico moral' em torno das novas tecnologias. 'A exigência de proibições é uma forma relativamente fácil de ganhar visibilidade, sem que seja preciso fazer muita coisa de fato', afirmou. Nina Kolleck, pesquisadora em educação da Universidade de Potsdam, na Alemanha, reforça que as restrições podem ser insuficientes para abordar os problemas estruturais das plataformas digitais.
Regulação versus proibição
Para muitos especialistas, o debate não deve se limitar à proibição ou restrição de acesso, mas sim focar em uma regulação mais ampla das plataformas. A simples proibição de menores de idade ou a limitação de conteúdos específicos são vistas como medidas paliativas, que não resolvem questões como algoritmos de engajamento, privacidade de dados e exposição a conteúdos prejudiciais.