Massacre de Eldorado do Carajás: 30 anos sem justiça completa para trabalhadores rurais
O Massacre de Eldorado do Carajás, ocorrido em abril de 1996, completa 30 anos sem a plena responsabilização dos envolvidos. Na época, 19 trabalhadores rurais foram mortos pela Polícia Militar do Pará durante uma marcha pacífica. A investigação sobre o envolvimento da mineradora Vale foi arquivada e o secretário de segurança da época, inocentado.
O Massacre e suas Consequências
Em abril de 1996, cerca de três mil trabalhadores rurais do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) marchavam em direção a Belém, no Pará, reivindicando assentamento em terras públicas e denunciando trabalho escravo. Dois pelotões da Polícia Militar do Pará cercaram a marcha em uma estrada, utilizando armas letais e sem identificação. O massacre resultou na morte de 19 trabalhadores no local e outros dois após serem hospitalizados. Mais de 70 pessoas ficaram com sequelas permanentes. A justiça foi falha no caso, com apenas dois comandantes militares condenados a 240 anos de prisão, cumpridos em regime de luxo. A investigação sobre o envolvimento da mineradora Vale, denunciado pelos advogados dos comandantes, não avançou, e o secretário de segurança do Pará, que ordenou a desobstrução da estrada, foi inocentado. O contexto da época, sob o governo neoliberal de Fernando Henrique Cardoso, era de desvalorização da reforma agrária. Contudo, sob pressão, a fazenda reivindicada pelos trabalhadores foi desapropriada e hoje abriga o assentamento "17 de Abril". O massacre teve repercussão mundial, impulsionado pelo livro "Terra", com fotografias de Sebastião Salgado, textos de José Saramago e um CD de Chico Buarque. Um ano após o ocorrido, o MST realizou uma marcha nacional de 1.500 km até Brasília para exigir justiça e reforma agrária.