Profissionais da geração Y escondem idade em currículos para driblar discriminação etária em processos seletivos
Trabalhadores na faixa dos 30 e 40 anos têm ocultado experiências antigas e datas de formação acadêmica em currículos para evitar discriminação etária em processos seletivos. A prática, incentivada por consultorias, surge em meio à desaceleração nas contratações para vagas de escritório e ao uso crescente de IA em recrutamentos, que pode reforçar preconceitos.
Estratégias para ocultar idade em currículos
Profissionais da geração Y têm adotado medidas como limitar o histórico profissional aos últimos dez anos, omitir datas de formação acadêmica e evitar endereços de e-mail considerados 'ultrapassados', como contas do AOL e Yahoo. A organização AARP, voltada para a população acima de 50 anos, recomenda essas adaptações para evitar que candidatos sejam associados a estereótipos de resistência a mudanças tecnológicas ou culturais no ambiente corporativo.
Discriminação etária e impacto da IA no recrutamento
Pesquisa da Resume Now (2024) revelou que 90% dos trabalhadores acima dos 40 anos já sofreram discriminação etária durante a carreira. Ferramentas de IA usadas em recrutamento, como a plataforma Workday, são acusadas de filtrar currículos com base em critérios que podem excluir candidatos mais velhos. A Workday nega as acusações, mas especialistas alertam que a automação pode agravar o problema ao perpetuar vieses algorítmicos.
Recomendações de especialistas
Suzy Welch, professora da Stern School of Business da Universidade de Nova York, destaca que profissionais experientes devem focar em destacar habilidades atualizadas e adaptabilidade em seus currículos. A estratégia visa contornar o receio de recrutadores de que candidatos mais velhos sejam menos flexíveis ou familiarizados com novas tecnologias.