Remontagem de 'Gota d'Água' em São Paulo destaca precisão de Chico Buarque e direção de Georgette Fadel
O espetáculo 'Gota d'Água – No tempo', em cartaz no Teatro Anchieta do Sesc Consolação até 3 de maio, reinterpreta a obra clássica de Chico Buarque e Paulo Pontes com direção de Georgette Fadel. A peça, inspirada na tragédia grega 'Medéia', aborda a opressão e a luta de Joana, interpretada por Fadel, contra um sistema que busca silenciá-la. A montagem incorpora músicas do cancioneiro de Chico Buarque, como 'Cálice' e 'Atrás da porta', para reforçar a narrativa.
Contexto e inspiração da obra
Escrita por Chico Buarque e Paulo Pontes em 1975, 'Gota d'Água' é uma adaptação da tragédia grega 'Medéia', de Eurípedes, transportada para uma comunidade carioca dos anos 1970. A peça original, estrelada por Bibi Ferreira e dirigida por Gianni Ratto, tornou-se um marco do teatro brasileiro. A nova montagem, intitulada 'Gota d'Água – No tempo', mantém a essência crítica da obra, explorando temas como opressão, abandono e resistência feminina sob a ótica do capitalismo.
Direção e elenco
Georgette Fadel assume a direção e o papel de Joana, a protagonista que enfrenta o abandono de Jasão, interpretado por Cristiano Tomiossi. José Eduardo Rennó completa o trio central como Creonte, o mandatário que simboliza o poder opressor. A direção de Fadel é elogiada por incorporar citações instrumentais de músicas de Chico Buarque, como 'Cálice' e 'Atrás da porta', que enriquecem a narrativa e reforçam a conexão com o contexto histórico e social da obra.
Recepção e relevância
A remontagem de 'Gota d'Água' é recebida com aclamação pela crítica, que destaca a precisão do texto de Chico Buarque e a sensibilidade da direção. A peça, que permanece relevante após 50 anos, reflete sobre a persistência das estruturas opressivas e a luta por justiça, temas que ressoam fortemente no cenário atual. O espetáculo está em cartaz até 3 de maio no Teatro Anchieta do Sesc Consolação, em São Paulo.