Depressão no relacionamento: como apoiar o parceiro sem comprometer a própria saúde mental
Especialistas explicam como familiares e cônjuges podem ajudar pessoas com depressão sem negligenciar o autocuidado. Casos reais revelam os desafios de equilibrar apoio e limites pessoais, enquanto terapeutas destacam a importância de não assumir responsabilidades excessivas e buscar suporte profissional.
O impacto da depressão no relacionamento
A depressão de um parceiro pode transformar profundamente a dinâmica de um relacionamento. Stefan, de 44 anos, viu sua esposa Jessica desenvolver fobia social e depressão durante a pandemia de covid-19, o que a afastou de amigos, atividades cotidianas e até mesmo da convivência com o marido. 'Houve fases em que eu tinha menos uma esposa e mais uma criança', relata Stefan, que passou a assumir tarefas que antes eram compartilhadas. Segundo especialistas, esse cenário é comum: familiares muitas vezes se sobrecarregam ao tentar compensar as limitações do parceiro, o que pode levar ao esgotamento emocional e físico.
Os riscos de assumir responsabilidades excessivas
Birgit Esch, terapeuta familiar sistêmica em Bonn, na Alemanha, alerta para os perigos de familiares assumirem um papel de 'cuidadores' sem estabelecer limites. 'A maioria dos familiares acredita que precisa fazer tudo pelo outro, mas isso pode gerar uma relação de dependência prejudicial para ambos', explica. No caso de Stefan, a sobrecarga o levou a sentir que o relacionamento havia perdido a leveza de antes. Especialistas recomendam que familiares busquem apoio profissional, como terapia ou grupos de suporte, para aprender a equilibrar o cuidado com o parceiro e a preservação da própria saúde mental.
Estratégias para ajudar sem adoecer junto
Para evitar o esgotamento, terapeutas sugerem algumas estratégias práticas: estabelecer limites claros sobre o que pode ou não ser assumido, incentivar o parceiro a buscar tratamento profissional (como terapia e medicação) e não negligenciar o autocuidado. 'É fundamental que o familiar entenda que não é responsável pela cura do outro, mas pode ser um apoio importante no processo', afirma Esch. Além disso, cursos e workshops voltados para familiares de pessoas com depressão, como os ministrados por Esch, ajudam a integrar conhecimentos sobre a doença e a desenvolver habilidades para lidar com situações desafiadoras.