Índice Shiller CAPE atinge 42, maior nível em 26 anos, mas analistas alertam para limitações da métrica
O índice Shiller CAPE, amplamente utilizado para avaliar a valorização do mercado de ações, alcançou 42 em julho de 2026, o maior patamar desde o estouro da bolha da internet em 2000. Embora a métrica sugira um mercado sobrevalorizado, especialistas apontam falhas históricas e questionam sua eficácia para prever retornos de curto prazo.
CAPE em níveis recordes: o que dizem os analistas
O índice Shiller CAPE (Cyclically Adjusted Price-to-Earnings Ratio) atingiu 42 em julho de 2026, superando pela primeira vez desde julho de 2000 esse patamar, quando o S&P 500 iniciou uma queda de 50% após o pico da bolha das empresas pontocom. A métrica, que ajusta os lucros das empresas pela inflação dos últimos dez anos, é considerada um indicador confiável para prever retornos de longo prazo por estrategistas de Wall Street e analistas como David Rosenberg, da Rosenberg Research. Em nota recente, Rosenberg afirmou que, fora o período da bolha da internet, "este é o S&P 500 mais sobrevalorizado da história registrada". David Kostin, ex-estrategista do Goldman Sachs, havia alertado anos antes que um CAPE elevado poderia resultar em retornos anuais de apenas 3% na próxima década.
Limitações do CAPE e por que o mercado segue em alta
Apesar de sua reputação, o Shiller CAPE não é infalível e enfrenta críticas. Um dos principais questionamentos é sua incapacidade de prever movimentos de curto prazo: desde 2021, quando o índice estava em 38, o S&P 500 continuou a bater recordes, contrariando projeções de retornos anuais entre 1% e 2% para a década seguinte. Michael Finke, professor de gestão de patrimônio do The American College of Financial Services, destacou em análise de 2020 que níveis elevados do CAPE não necessariamente sinalizam uma correção iminente. Além disso, o indicador tem se mantido em patamares altos por períodos prolongados, como observado nos últimos anos, sem que isso tenha impedido o mercado de registrar novas máximas.