Estudos fraudulentos crescem em ritmo alarmante e superam produção científica legítima, alerta pesquisa
Pesquisadores da Universidade Northwestern, nos EUA, revelam que artigos científicos fraudulentos estão se multiplicando mais rápido do que publicações legítimas. Enquanto a produção científica global dobra a cada 15 anos, artigos retratados por erros ou má conduta duplicam a cada 3,3 anos, e estudos suspeitos de serem produzidos por 'fábricas de papers' dobram a cada 18 meses. O estudo, publicado nos Anais da Academia Nacional de Ciências (PNAS), aponta que redes criminosas operam em larga escala, com lucros milionários, comprometendo a integridade da ciência.
Fraude científica organizada e em expansão
Um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Northwestern, nos Estados Unidos, expôs um crescimento acelerado de artigos científicos fraudulentos, superando o ritmo da produção científica legítima. Segundo a pesquisa, publicada nos Anais da Academia Nacional de Ciências (PNAS), enquanto a quantidade de publicações científicas globais dobra a cada 15 anos, os artigos retratados — invalidados por erros ou má conduta — duplicam a cada 3,3 anos. Ainda mais preocupante, os estudos suspeitos de serem produzidos por 'fábricas de papers', organizações que vendem artigos falsos ou de baixa qualidade, multiplicam-se a cada 18 meses. O físico português Luís Amaral, coordenador do estudo, classificou essas redes como 'organizações criminosas' que operam de forma resiliente e lucrativa, fora do escrutínio público.
Metodologia e fontes da pesquisa
Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores analisaram registros de artigos retratados, dados editoriais e imagens duplicadas em bases como Web of Science (WoS), Scopus e PubMed/MEDLINE. Também utilizaram informações do Retraction Watch, que compila estudos retratados, e do PubPeer, plataforma onde críticas a artigos são publicadas. Além disso, examinaram metadados de periódicos removidos de bases de dados por baixa qualidade ou violações éticas. O estudo destacou que milhões de dólares estão envolvidos nesse mercado fraudulento, que distorce o processo científico e mina a credibilidade da pesquisa acadêmica.