Advogado é denunciado por fraude processual após usar IA para manipular imagens em julgamento da Chacina do Curió
Ministério Público do Ceará (MPCE) denunciou advogado por fraude processual ao utilizar inteligência artificial para alterar imagens de câmera de segurança em processo relacionado à Chacina do Curió, ocorrida em 2015 em Fortaleza. Oito policiais militares foram condenados pelo crime, que resultou na morte de 11 pessoas.
Detalhes da denúncia e uso de IA
O advogado Talvane Robson Moura foi denunciado pelo MPCE após manipular imagens de um vídeo periciado pela Perícia Forense do Ceará (Pefoce) em 2016. Segundo o inquérito, três dias antes do julgamento de seu cliente, o policial militar Luciano Breno Freitas Martiniano, Talvane utilizou a ferramenta de IA Gemini para 'melhorar' a qualidade das imagens, alegando que o resultado final mostrava um carro de marca diferente da apontada pela perícia. A Pefoce havia concluído que as imagens originais eram de baixa qualidade e não poderiam ser aprimoradas, identificando o veículo como um Toyota Etios Sedan ou similar, ligado ao réu.
Contexto do caso
A Chacina do Curió ocorreu em 2015 na periferia de Fortaleza, resultando na morte de 11 pessoas. Oito policiais militares foram condenados pelo crime. Durante o julgamento em outubro de 2025, Talvane apresentou as imagens alteradas por IA aos jurados, argumentando que a ferramenta havia gerado um resultado distinto do laudo pericial. O Ministério Público solicitou a investigação em outubro de 2025, e a Polícia Civil abriu inquérito para apurar a fraude processual.