IA identifica espécies de golfinhos pelos assobios; saiba mais
Pesquisadores do Instituto Oceanográfico (IO) da USP desenvolveram um algoritmo de inteligência artificial (IA) capaz de identificar seis espécies de golfinhos do Atlântico Sudoeste a partir de seus assobios. O sistema, baseado no algoritmo Random Forest, utiliza uma biblioteca acústica para identificar padrões de duração e frequência, permitindo o monitoramento contínuo da biodiversidade marinha sem a necessidade de observação visual direta.
O uso da IA na biodiversidade marinha
O desenvolvimento de um algoritmo de inteligência artificial (IA) pelo Instituto Oceanográfico (IO) da Universidade de São Paulo (USP) representa um avanço significativo no monitoramento da biodiversidade marinha. O sistema é capaz de identificar seis espécies de golfinhos do Atlântico Sudoeste — incluindo o golfinho-comum, o boto-cinza e o golfinho-pintado-do-Atlântico — apenas por meio de seus assobios. O estudo, publicado na revista Ocean and Coastal Research, destaca como a tecnologia pode monitorar populações de mamíferos aquáticos em regiões de difícil acesso e fornecer dados cruciais para a conservação ambiental.
Como o algoritmo funciona
O modelo de IA foi treinado utilizando o algoritmo Random Forest, que funciona como um conjunto de 'árvores de decisão'. Cada árvore analisa características específicas das vocalizações, como duração, frequência, modulação e variação. O sistema processa esses dados e seleciona a classificação mais frequente para identificar a espécie automaticamente. Para isso, os pesquisadores criaram uma biblioteca acústica com cerca de 1,8 mil sons registrados em diferentes regiões, como o litoral de São Paulo e o Arquipélago de Fernando de Noronha.
Vantagens do monitoramento acústico
Diferente da observação visual, que depende de condições climáticas e de iluminação, os sensores acústicos equipados com IA podem operar continuamente, inclusive à noite ou em águas com baixa visibilidade. Isso permite identificar áreas críticas para alimentação e reprodução, além de detectar impactos causados por atividades humanas, como o tráfego de embarcações e a pesca. O projeto também resultou na criação de uma biblioteca acústica de cetáceos da costa de São Paulo, que servirá como base para futuras expansões da pesquisa no litoral norte do estado.