Famílias de vítimas de feminicídio enfrentam luto e desafios financeiros no primeiro Dia das Mães sem as mães
Filhos de vítimas de feminicídio em Campinas (SP) escreveram cartas emocionantes no primeiro Dia das Mães sem suas mães, mortas pelos companheiros. Famílias assumem a guarda das crianças, mas enfrentam dificuldades financeiras e emocionais, como a falta de pensão e a necessidade de apoio psicológico contínuo. Especialistas alertam para a importância de não ocultar o trauma e oferecer suporte desde o registro do crime.
Carta emociona e revela saudade dos filhos
Filhos de Larissa dos Santos da Silva, de 29 anos, morta a tiros pelo companheiro em Campinas (SP) em setembro de 2025, escreveram uma carta no primeiro Dia das Mães sem a presença dela. "Mãe, nós estamos com saudade de você. Eu queria te visitar, mas não tem como", diz um trecho do texto, assinado pelos irmãos de 4 a 15 anos. A avó, Mariza dos Santos, assumiu a guarda das crianças e descreve a nova rotina: "Eu sou mãe, avó, pai, amiga. A minha vida mudou totalmente, mas eu amo eles, eles são a minha fortaleza."
Desafios financeiros e burocráticos
Além do luto, as famílias enfrentam dificuldades financeiras. Os filhos de Larissa seguem sem receber pensão oito meses após o crime. A avó Mariza relata que a situação é comum entre famílias de vítimas de feminicídio, que muitas vezes dependem de apoio externo para sustentar as crianças. "As crianças são tudo para mim, mas a burocracia é lenta e dolorosa", afirma.
Importância do apoio psicológico
A psicanalista Alicia Beatriz Dorado de Lisondo, especialista em primeira infância, destaca a necessidade de não ocultar o trauma. "O importante é que isso não se tampe, que não seja um segredo. É preciso trabalhar a raiva, o ódio, o choro e as saudades", explica. Ela defende que o apoio psicológico deveria ser oferecido desde o registro do boletim de ocorrência, mas muitas famílias não têm acesso a esses recursos.