Favela do Moinho: 73% das famílias ainda não têm moradia definitiva um ano após início de remoções em São Paulo
Um ano após o governo de Tarcísio de Freitas iniciar a remoção de famílias da Favela do Moinho, no centro de São Paulo, 73% dos moradores ainda não obtiveram moradia definitiva. Dados da CDHU revelam que apenas 227 das 854 famílias mapeadas foram realocadas, enquanto 446 recebem auxílio-moradia temporário de R$ 1,2 mil. Outras 118 famílias têm paradeiro desconhecido, e 63 permanecem na comunidade, agora parcialmente demolida.
Promessas não cumpridas e incertezas
O governo de São Paulo, sob a gestão de Tarcísio de Freitas, prometeu "teto seguro, estável e digno" aos moradores da Favela do Moinho, mas os números mostram um cenário distinto. Segundo dados da CDHU obtidos via Lei de Acesso à Informação (LAI), apenas 26,6% das famílias (227) conseguiram moradia definitiva até março de 2026. A maioria (52,2%) depende de auxílio-moradia de R$ 1,2 mil, sem garantia de continuidade, já que a portaria 591/2025 do Ministério das Cidades estabelece prazo de 12 meses para a indicação de uma unidade habitacional elegível. O ministério informou que 736 famílias estão em processo de contratação ou com pendências de enquadramento, enquanto 45 ainda residem na comunidade, agora em condições precárias.
Plano bilionário e impacto social
A remoção da Favela do Moinho faz parte de um projeto bilionário do governo estadual para construir um parque e um megacomplexo administrativo no centro de São Paulo. No entanto, a lentidão na realocação das famílias tem gerado críticas e insegurança. Moradores relatam preocupação com a possibilidade de perder o auxílio-moradia e não terem para onde ir. A CDHU não forneceu informações sobre as 118 famílias cujo paradeiro é desconhecido, levantando questões sobre a transparência e eficácia do processo.