IA em processos seletivos prejudica mulheres de meia-idade, aponta relatório
Ferramentas de recrutamento baseadas em inteligência artificial estão colocando mulheres com mais de 40 anos em desvantagem no mercado de trabalho, segundo relatos de profissionais. Especialistas alertam que algoritmos reproduzem preconceitos sociais, como etarismo e discriminação de gênero, dificultando a recolocação dessas candidatas.
Dificuldades no retorno ao mercado de trabalho
Stacey Duguid, de 52 anos, ex-executiva do setor de moda, relatou ter enviado mais de 100 currículos em 16 meses sem sucesso. Após publicar um desabafo nas redes sociais, recebeu milhares de respostas de mulheres na mesma situação. "A IA é um espelho da sociedade. Ela reflete os nossos preconceitos", afirmou Duguid, que removeu referências à sua idade e tempo de experiência do currículo para tentar contornar o problema. A BBC ouviu mais de 60 mulheres entre 40 e 65 anos, a maioria com décadas de experiência em cargos de alto nível, que enfrentam dificuldades semelhantes.
Impacto da IA nos processos seletivos
Especialistas apontam que algoritmos de recrutamento tendem a reproduzir vieses existentes, como etarismo e discriminação de gênero. Ferramentas de triagem automatizada podem descartar currículos com lacunas de emprego ou longos períodos de experiência, comuns em trajetórias de mulheres que interromperam carreiras para cuidar de filhos ou familiares. "O medo de se tornar dispensável devido aos avanços da IA é compartilhado por milhões de trabalhadores, mas as mulheres de meia-idade são particularmente afetadas", destacou o orientador profissional entrevistado pelo G1.