Prefeitura de Osasco descarta centenas de livros de biblioteca pública e gera indignação
A Prefeitura de Osasco descartou centenas de livros da Biblioteca Pública Monteiro Lobato, incluindo obras de autores locais, coleções de poesia e jornais históricos, alegando contaminação por fungos e mofo. A biblioteca está fechada desde 2020, e moradores denunciam abandono e perda de acervo histórico da cidade.
Contexto e reações
A Biblioteca Pública Monteiro Lobato, localizada na Grande São Paulo, teve parte de seu acervo descartado pela Prefeitura de Osasco durante a Semana Mundial do Livro. Moradores, escritores e professores da cidade manifestaram revolta após imagens mostrarem milhares de exemplares jogados em caçambas de lixo. Segundo a gestão municipal, os livros estavam contaminados por fungos e mofo, mas a justificativa não amenizou as críticas. A biblioteca permanece fechada desde 2020, quando as atividades foram interrompidas devido à pandemia de Covid-19, e desde então o espaço não recebeu manutenção adequada, resultando no deterioramento do acervo.
Acervo histórico perdido
Entre os materiais descartados estavam obras de autores locais, livros de poesia e coleções antigas de jornais que registravam a memória da cidade. Moradores relataram que o acervo foi armazenado em condições inadequadas após o fechamento da biblioteca, sem ventilação ou cuidados de preservação. A professora Juliana Gomes Curvelo destacou que a biblioteca nunca recebeu investimentos em compras de livros, dependendo exclusivamente de doações. "Tem muita história que foi guardada aqui dos próprios osasquenses", afirmou, lamentando a perda de um "acervo riquíssimo".
Promessas não cumpridas
Uma reforma na biblioteca foi iniciada em setembro de 2023, com previsão de conclusão para fevereiro de 2024, mas até o momento o prédio segue fechado e sem previsão de reabertura. Moradores flagraram a retirada dos livros nesta semana, com relatos de caçambas lotadas e materiais espalhados pelo chão. O sociólogo Roque Aparecido da Silva, que presenciou a cena, questionou a falta de transparência da prefeitura: "Eles estavam com uma caçamba já lotada de livros, uma outra caçamba com um pouco, e um monte de livro jogado pelo chão". A gestão municipal não apresentou um plano para a recuperação do acervo ou a reabertura do espaço.