Pesquisa revela cinco fatores externos que influenciam alimentação infantil além da escolha dos pais
Estudo do Instituto Pensi, conduzido em cinco capitais brasileiras, aponta que preço dos alimentos, jornada de trabalho dos responsáveis, ambiente alimentar, tempo de exposição a telas e publicidade infantil são determinantes para a dieta das crianças. Famílias demonstram conhecimento sobre alimentação saudável, mas enfrentam barreiras estruturais para implementá-la.
Metodologia e perfil dos participantes
A pesquisa 'Comportamento Alimentar: Percepções e Desafios da Alimentação Saudável' foi realizada pelo Instituto Pensi entre setembro e outubro de 2025, com 142 participantes de grupos focais online nas cidades de São Paulo, Porto Alegre, Fortaleza, Belém e Goiânia. O estudo abrangeu famílias das classes AB, C e DE, com 57% dos domicílios convivendo com uma ou duas crianças e 4% com três ou mais. O objetivo foi compreender como fatores externos moldam as escolhas alimentares infantis, sem pretensão de representação estatística nacional.
Fatores determinantes para a alimentação infantil
O estudo identificou cinco fatores principais que influenciam a alimentação das crianças: 1) **Preço dos alimentos**: O custo elevado de produtos frescos e saudáveis limita o acesso; 2) **Jornada de trabalho dos responsáveis**: A falta de tempo para preparar refeições caseiras impacta a qualidade da dieta; 3) **Ambiente alimentar**: A disponibilidade de opções saudáveis no entorno das residências e escolas é restrita; 4) **Tempo de exposição a telas**: O uso prolongado de dispositivos eletrônicos está associado ao consumo de alimentos ultraprocessados; 5) **Publicidade dirigida às crianças**: A pressão constante de propagandas de alimentos industrializados direciona as preferências infantis.
Percepções sobre alimentação saudável
Os participantes associaram alimentação saudável a refeições caseiras, como arroz, feijão, frutas e legumes. No entanto, destacaram que, apesar do conhecimento sobre o que constitui uma dieta equilibrada, as condições estruturais — como renda, tempo e acesso — dificultam a implementação dessas práticas. A pesquisa reforça que o problema não está na falta de informação, mas nas barreiras socioeconômicas que impedem escolhas mais saudáveis.