Instituto em Belém transforma letras de barcos amazônicos em arte e design com foco na cultura ribeirinha
O Instituto Letras que Flutuam, em Belém, completa dois anos de atividades dedicadas à preservação e valorização da cultura gráfica ribeirinha amazônica. O espaço, localizado no centro histórico da cidade, transforma as tradicionais pinturas de barcos em produtos como camisas, gravuras e peças de design, promovendo geração de renda e troca cultural entre artistas ribeirinhos e o público urbano. A iniciativa dialoga com a nova definição de museus da Unesco, que reconhece a importância da participação comunitária e da preservação de patrimônios vivos.
Preservação cultural e novas formas de museu
O Canto do Letras, sede do Instituto Letras que Flutuam, foi formalizado em maio de 2024 e se destaca por aproximar moradores e visitantes de um saber tradicional ligado aos rios amazônicos. O espaço funciona como um ponto de exposição, comercialização de produtos e encontro entre mestres ribeirinhos — conhecidos como abridores de letras — e o público urbano. As pinturas ornamentadas dos barcos amazônicos, típicas da região, são adaptadas para novos suportes, como camisas, gravuras, agendas e placas, em uma iniciativa que alia arte, memória e produção cultural. A proposta do instituto está alinhada com a nova definição de museus aprovada pelo Conselho Internacional de Museus (ICOM), ligado à Unesco, em 2022. Segundo a organização, museus passaram a ser reconhecidos não apenas como espaços de preservação, mas também como locais de participação comunitária, troca cultural e valorização de patrimônios vivos. Para a pesquisadora Fernanda Martins, o Canto do Letras é um "porto de cultura", onde as pessoas podem conhecer os abridores de letras, entender seus modos de fazer e se conectar com uma tradição que sempre esteve presente na Amazônia.
Ações e impacto social
Desde sua criação, o Instituto Letras que Flutuam acumulou ações voltadas à formação, geração de renda, oficinas e exposições. O espaço, localizado no bairro da Campina, em Belém, busca não apenas preservar a cultura gráfica ribeirinha, mas também integrá-la ao cotidiano urbano. A iniciativa contribui para a valorização dos saberes tradicionais e para a criação de oportunidades econômicas para os artistas locais, que encontram no instituto uma plataforma para divulgar e comercializar suas obras. Além das exposições permanentes, o Canto do Letras promove atividades que estimulam a troca de conhecimentos entre gerações e a experimentação de novas linguagens artísticas. A proposta reflete uma tendência global de museus mais dinâmicos e socialmente engajados, que vão além da simples conservação de acervos para se tornarem agentes ativos na promoção da cultura e da inclusão.